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Big, bang

Um encontro aleatório, uma ação inesperada, uma conexão improvável, um beijo ferozmente harmônico, uma paixão ginasial, uma insegurança inerente. No paradoxo atual, a cabeça pede para não planejar; o coração, justamente o oposto. Justamente o oposto é o que busco, porque é no contraste que se vê o equilíbrio e sua beleza. Mas será que somos assim tão opostos? Gostaria de ver e constatar que sim e constatar que não. Quero que sejamos yin e yang. Quero que nosso encontro seja atemporal, em universo paralelo, fora dos limites, amarras, convenções e idealizações. Quero que seja somente aquela noite, big, bang.
Escrito por Shin Oliva Suzuki às 13h16
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A Daslu, o software livre e o jogo do São Paulo na Paulista
 
Nos primeiros tempos do governo Lula, com o próprio ensaiando jogo duro na política internacional, com o próprio representando a sonhada escalada do operário que logra o acesso ao poder máximo, com o Brasil se tornando queridinho na Europa com "Cidade de Deus", Gisele Bündchen, Ronaldo, Ronaldinho e verde-e-amarelo como cores do momento, havia um conjunto de dados que firmavam a impressão de que as coisas finalmente iam decolar e, ainda que levasse um tempo, chegaríamos lá ao Olimpo das nações desenvolvidas.
Só não vê quem não quer: tudo foi pro saco. Talvez uma próxima vez. Não vou arriscar antropologuês ou sociologuês selvagem nem ficar falando de corrupção endêmica (termo que já entrou em relatório do governo americano). Prefiro apontar três notícias dos últimos dois dias que, embora não diretamente relacionadas à causa mais visível do desmonte do sonho nem relacionadas entre si, são amostras de que o buraco é mais embaixo. Corrupção é só a parte mais substancial do problema, mas o iceberg é maior do que a gente pensa. E nem acho que "bom mesmo é na Alemanha" ou algo assim. Prefiro uma solução à brasileira. Mas que tem algo de errado por aí, tem sim.
- Foi quase unânime a conclusão da mídia que houve exagero na prisão da dona da Daslu. Pisaram e repisaram que foi show, sensacionalismo e estratagema para desviar a atenção das CPIs. Sei. Os cara da PF esperam meia hora pra mulher colocar um Dolce&Gabana (decadance avec elegance?), ela fica doze horas presa e depois é liberada, com prova de sonegação fiscal a dar com o pau. Exagero? Exagero pra quem, cara-pálida, pra quem freqüenta coluna social? Quem é entrevistado pelo Amaury Jr. tem habeas-corpus imediato em casos assim? É populismo querer tratar como se deve um crime que, pelo jeito, é aceito (com constrangimento ou sem) pelo empresariado brasileiro? Qual é a maneira que deve se tratar casos assim? Que espírito é esse? >
- Por um arranjo político, o ex-Collor Hélio Costa assumiu o Ministério das Comunicações. Não é surpresa, mas ele já começou dizendo merda. Uma das coisas que mais me entusiasmaram no governo foi a opção pelo Linux em detrimento do Windows. De graça, né, e funciona, todo mundo que entende assina embaixo. Entre outras coisas, dava pinta de um governo progressista na parte tecnológica, pros caras da "Wired" pagarem um pau com um artigo gigantesco a respeito. Aí vem esse Hélio Costa falando que tem que ver direito esse negócio de escolher o Linux porque "os custos de manutenção de um software livre podem ser maiores que a contratação de um pago". Mala preta oferecimento especial de um tal sr. William Gates III? Porque só pensando assim que essa declaração do seo Costa faz sentido. Afinal, optando pelo Linux, o governo economiza R$ 28,5 milhões. Mais de R$ 28,5 milhões pra consertar o Linux quando dá pau? Só no Brasil. Que espírito é esse?
3. Fui assistir à final da Libertadores num dos bares da prainha da Paulista onde tinha telão. O que aconteceu em outros lugares da avenida já foi relatado. Mas eu tava lá sentado e a galera invadiu o espaço e não dava mais pra ficar no lugar onde eu estava. Os caras do bar começaram a recolher cadeiras e mesas. Até aí tudo bem. Vamos ver o jogo todo mundo junto em pé e festejar o tri em comunhão. Mas eis que começam a passar uma das cadeiras para a rua. Um maluco começa a pular em cima do capô de um carro (algo que eu já vi no Morumbi) e sem mais nem menos começa a destruir o vidro da frente com a cadeira, fazendo isso com raiva, com muita raiva. Depois, o dono do carro (acho que era um Vectra) chega e tenta sair; outros caras na rua dão umas bicas na traseira enquanto ele tenta se mover. O vidro é fumê, não dá para ver a feição do cara naquela hora. O maluco que bateu com a cadeira queria o quê? Punir o cara porque ele ousou estacionar o Vectra quando todo mundo queria assistir ao jogo? Compensar o vazio emocional pela falta de oportunidades no país? Que espírito é esse, afinal?
Escrito por Shin Oliva Suzuki às 14h05
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O P2P e o amor

Vocês já notaram que programas P2P são como amores, como relacionamentos amorosos, como mulheres? Comecei a pensar nisso depois que baixei o Shareaza na semana passada e, aham, percebi que tô meio apaixonado, é sério. Tá ainda mais emocionante porque é um amor bandido, clandestino, já que eu tô sem computador em casa e assim tive que fazer o download no escritório do meu pai. Até agora, como inícios de relacionamentos, só observo qualidades: visual bonito (que pode ser trocado, nem sempre disponível nas mulheres), fácil de manejar (ops), arquivos mais raros encontrados com alguma facilidade, download rápido e paltaforma para torrent. É ou não ou é demais? E o nome, ao menos, para mim, soa como a Xerazade das "Mil e Uma Noites", evocando algo sensual, sexy e encantador no meu inconsciente (e vocês acham que funciona como a escolha de marcas? Pergunte para qualquer publicitário! Bill?) Enfim, fui conquistado pelo Shareaza. Ou melhor, pelA Shareaza.
Aí eu lembrei de todos os outros programas P2P que passaram pela minha vida. O Napster foi como a garota com quem você vai descobrindo o caminho das pedras, quando a brincadeira ainda parece nova para você. Às vezes você não se dá conta, mas isso teve sim um poder transformador, de modificar os nossos hábitos e, em alguns casos, de fazer um doente. E foi tão dramático o final, tão cinematográfico (ainda que sem DVDx na época), que tinha até um vilão no meio, a RIAA. A RIAA agiu como aqueles que armam para que tudo acabe mal, fazem mcumba e escambau e dão uma gargalhada diabólica olhando para a câmera. E senti uma ponta de melancolia quando o Napster voltou mais tarde dizendo que agora só faria por dinheiro. Não, foi tristeza mesmo. Pobre Napster.
Ainda passei pelo Audiogalaxy, o equivalente àquela menina linda, alto-astral, que chega na hora certa para te curar da decepção e do vazio emocional causados pelo desaparecimento de alguém como o Napster. De novo, como nos filmes, tudo ia bem, tudo se consolidava, e se acabou bruscamente. De novo, RIAA. Me perguntava se existia mesmo justiça divina.
Aí, naquela fase de entressafra aparece o Kazaa. O Kazaa se encaixa no perfil daquela patricinha que você conheceu porque um amigo teu fez uma festa na Vila Olímpia. linda, cheirosinha, você aposta enla, mas logo descobre tod a superficialidade, toda a falta de conteúdo, toda a malice que é mais insuportável que pop-up. Tem gente que ainda usa Kazaa. Tem gosto pra tudo.
Aí aparece aquela com quem você se identifica. Tem defeitos, mas as qualidades compensam e, ademais, você espera alguma coisa e ela vai lá e faz mais, te surpreende. Aí é fatal. Isso é Soulseek. Como o Shareaza, o nome dizia alguma coisa. Tinha alma lá. Mas quando você pensa que vai ser para a vida toda, algo estranho começa a acontecer. A comunicação se perde. A tal alma se perde. Você sente que já não é mais a mesma coisa. Já não falamos mais a mesma língua. Tchau Soulseek.
Cheguei a mais uma conclusão no paralelo entre os programas de P2P e os parceiros de relacionamento: nunca são realmente um fim em si mesmo. No primeiro caso é mais óbvio, funciona como um suporte para acessar filmes, músicas etc. Mas não é a mesma coisa com os gostos, com as histórias de vida, com os amigos, com a família, com as manias, com os cantos do corpo da pessoa? Ela não é uma forma de acessar tudo isso? E que bom, Kasparov perdeu, mas ela ainda continua ganhando e com larga vantagem do P2P.
Escrito por Shin Oliva Suzuki às 19h17
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A incrível história de Saul
Saul está vivendo com a gente. Meio no contrabando. Veio da Costa Rica a pedido de um amigo do Jiri para tentar reajeitar a vida. Como o apartamento só tem dois quartos, ele tá ocupando um canto meio escondido da sala, dormindo num colchao que fica debaixo da janela. Nao tem cortina nessa janela. As coisas nao estao ainda legais para o Saul na Espanha, ele nao arrumou emprego e teve o passaporte roubado quando passou um final de semana em Portugal. Problema: como ele tinha um processo por falta de pagamento de pensao, ele nao poderia ter saído do país. Saiu porque cruzou a fronteira até o Panamá. Tentar tirar uma segunda via do passaporte pode complicar as coisas. Mas por meio das quatro filhas (uma mora nos Estados Unidos, a outra foi barrada/deportada de lá há alguns dias) ele quer eliminar o processo. A ex-mulher morreu faz três anos.
De qualquer forma Saul quer ficar. Quer esquecer uma decepçao amorosa, uma garota de 18 anos que ele conheceu quando ela tinha 15. Era amor e envolvimento, já tinha se afeiçoado pela filha e pelos pais dela e vice-versa. Só que Saul se magoou no meio do caminho.
E a jornada até a Espanha é ainda mais complexa. Ele teve problemas em Costa Rica porque se envolveu com uma adolescente de 14 anos (que ele conheceu quando ela tinha sete) com quem ele trabalhava nas colheitas de café. O pai ameaçou ir até a polícia, mas sossegou quando recebeu uma "reparaçao" de 200 mil colones (R$ 1000). "A menina foi crescendo, foi crescendo e quando fui ver estava assim [enche duas maos na altura do peito]".
Algumas pessoas para quem contei a história do Saul se escandalizaram, como eu também falei um "epa" quando me contaram o perfil, mas eu nao vejo, depois de algo de convivência, o que chamariam de perversao, de pedo... é, aquela palavra maldita, quando o jornalismo errou. Nada a ver. Está claro que o Saul age por instinto. Faz quando tem vontade de fazer e faz o que ele gosta de fazer, em um movimento que é nada mais que humano, animal, com tudo de ruim e natural que isso tem.
O fato é que na vida de Saul nao há planificaçao, nao há um plano-mestre. Vai fazendo o que aparece pela frente e o que ele sabe e gosta de fazer. Amor, sexo, filhas, beber cerveja, trabalhar, ir à igreja (ele é muito religioso). De começo, tomara que ele consiga um emprego. Igreja aqui tem de sobra.
Escrito por Shin Oliva Suzuki às 14h37
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Um abraço

No sábado, eu abordei uma garota na Alameda de Hércules, lugar onde rola a balada alternativa de Sevilla. A menina era linda, de olhos bem verdes, mas logo percebi que tava chorando e que já tinha chorado muito. Fiquei surpreso e obviamente quis saber o que havia passado. "Fui roubada", ela respondeu, enquanto continuava andando e chorando. Perguntei se podia fazer algo, acompanhá-la até a policía, enfim, se podia ajudar de alguma forma, mas ela recusou tudo. Entao propus dar a menina um abraço, isso mesmo, um abraço, somente um abraço. Surpreendentemente, ela levou isso a sério, como algo sincero, o que de fato era. Resultou que ela me abraçou mais forte do que eu a ela, mas foi como se a gente se conhecesse havia muito tempo, como se um importasse muito para o outro e estivéssemos nos despedindo ou nos reencontrando. Quando acabou o abraço, eu voltei a perguntar se ainda podia fazer alguma coisa. Ela voltou a dizer que nao e continuou andando e, acho, chorando.
Escrito por Shin Oliva Suzuki às 15h52
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A macrobotellona ou quando cu de bêbado ainda tem dono

É verdade, nao se fala muito, mas botellona, ou botellón, é uma instituiçao cultural tao espanhola quanto a tourada. Igualmente contém certos aspectos que eu nao entendo. Em uma explicaçao rápida, uma botellona é quando a galera se reúne em uma praça ou algum espaço público do tipo, com cerveja ou entao rum ou uísque com gelo e copo de plástico, tudo sempre comprado em supermercado porque é bem mais barato. Assim, fica uma multidao dividida em pequenos grupos, nada mais que conversando e se enchendo de álcool. Nao tem quase nada de música a nao ser algum batuque improvisado (e ruim). Uma botellona serve de esquenta para uma outra balada ou como fim em si mesma.
Já uma macrobotellona, como diz o próprio nome, é a expansao desse conceito para millares ou dezenas de millares de pessoas; só é mesmo uma questao de proporçao. Há pouco teve a Festa da Primavera, uma macrobotellona que juntou mais ou menos 20 mil pessoas em um espaço da Isla de la Cartuja que, mal comparando, dava metade da avenida Paulista. Mas havia algo estranho em ver 20 mil neguinhos em milhares de microrrodinhas e em milhoes de microconversas e subconversas, bebericando em copos descartáveis, em uma versao monstro de uma festa que estava ainda para decolar. Eu nao parava de perguntar para mim mesmo "legal, mas e daí?". Porque xavecar ninguém xaveca. Brigar ninguém briga. Beijar só (os poucos e já formados) casais beijam. Perplexo, eu, que sou brasileiro e nao desisto nunca, fui à luta para descobrir qual era a real.
Proporcionalmente Sevilla tem mais mulher bonita que Sao Paulo, é um desfile interminável e inacreditável. Mas dizem que há a influência da tradiçao, da familia, da igreja, da sociedade, do ingresso dos fundos comunitários da Uniao Européia em determinado ano para que, mesmo com altas doses etílicas, o superego da mulherada espanhola continue lá. Elas sorriem, adiantam conversa, mas no final o que ela vai te dar é o número do celular dela (que é uma espécie de prêmio de consolaçao). Me lembro que eu conheci uma garota de Galícia chapadíssima no meio da tal Festa da Primavera e perguntei se beijar em galego era o mesmo em portugués (galego e português já foram a mesma língua, saca Gil Vicente?). Ela rachou o bico e rachou o bico, mas preferiu continuar na chapaçao dela e só. E os exemplos vao por aí e só a armada nao-espanhola para salvar a situaçao. Se fosse comigo, azar meu, tudo bem ou, melhor dizendo, tudo mal, mas você vê 20 mil pessoas loucas e só uns cinco casais, nem todos se pegando. Pode ser visao viciada do carnaval brasileiro, ou de qualquer aglomeraçao tupiniquim com fins alcoólicos, mas condicionamento cultural é isso aí.
Falando nisso, próximo dia 26 tem um carnaval brasileiro aqui em Sevilla com o Carlinhos Brown. E nao é possível que a lógica das botellonas, macros ou normais, persista. Porque fritar cinco horas em um sol de 40 graus ouvindo Carlinhos Brown como fim em si mesmo é o maior choque cultural que poderia haver.
Escrito por Shin Oliva Suzuki às 15h44
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Emoçoes (também sem til)

Foi quando o futebol foi mais futebol. Foi um daqueles jogos para o torcedor de uma das partes envolvidas recuperar a fé na vida ou estar mais seguro sobre a existência de deus. Imagine as condiçoes: final da Copa dos Campeoes da Europa, o primeiro tempo termina 3x0 para um Milan com Shevchenko, Kaká e Maldini. Milan, poderoso Milan, que é da cidade chique mais metida à besta da Itália, quiçá do mundo. Do outro lado, um Liverpool humilde, sem nenhuma superestrela (pelo contrário, tem o Carragher, da mesma estirpe de Gralak e Galeano, o que já dá uma idéia), um time que depende mais da raça do que da habilidade. E os cara jogam feio, ô se jogam feio. E é time de operário e de comunista, identificado com batalha. O Michael Robinson, um jogador dos anos 80, contou que uma vez se perdeu no caminho para o estádio. E quando perguntou a um senhor na rua como podia chegar lá, levou de resposta: "Lutando, se sacrificando, se entregando; assim algum dia você chegará a Anfield [o campo do Liverpool]".
Acho difícil que o Rafa Benitez, o técnico espanhol do Liverpool, tenha usado isso de algum jeito para tentar animar o time no intervalo do primeiro tempo para o segundo. Convenhamos, a vaca já tinha ido pro brejo. E mesmo que tenha feito aquela palestra esforçada, duvido que metade do time acreditasse que existia algum fio de esperança. Aquelas cenas bonitas de superaçao, como imaginamos, só acontecem nos filmes americanos, e o esporte nem é o nosso futebol. Os caras estavam clinicamente mortos. Era Milan 3x0, final da Champions, cacete.
Foi o gol de cabeça do Gerrard? Sim, mas como se marca mais dois gols na principal escola defensiva do mundo, dentro daquelas condiçoes? Tem de haver mais. (Muita) Técnica os caras nao tinham. Como foi possível? Como se produziu a faísca para que a luz voltasse e iluminasse e incendiasse o time todo, deixando de lado as deficiências, esquecendo que eram mais pobres, mais feios e inferiores? Também gostaria de saber, mas desconfio que nenhuma entrevista esclareceria isso. Nao sairiam do burocrático "foi o espírito de luta da equipe que possibiltou a recuperaçao" ou algo do tipo. Como se tentassem esconder algum tipo de magia, ajuda extracampo ou extraterrena, ou a falta de expllicaçao para o que aconteceu. Mais próximo da verdade está um jogador (de quem eu nem me lembro o nome ou sequer o time) que protagonizou uma virada mais ou menos como essa. A resposta, em entrevista a rádio Bandeirantes há muitos anos, soou enganadoramente simplória, mas só enganadoramente. Hoje parece a explicaçao de uma regra universal: "A gente vai lá e tenta, porque tem que tentar e pronto. Às vezes dá certo, às vezes nao. E é isso". Err..., sim, sábias palavras
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Ah, e Salve o Tricolor Paulista. Mesmo de longe, sem poder sentir o que foi o jogo e a reaçao da galera, foi muito bom saber das duas vitórias na Libertadores, com gol de Rogério Ceni e tudo. Só nao vai ser campeao com eu aqui, socorro.
Escrito por Shin Oliva Suzuki às 08h40
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Sensaçoes (ainda sem til)
Este texto encerra uma contradiçao. Escrito sob efeitos de uma mistura de vinho, coca-cola e gelo, em número de copos que nao comporta uma mao, vai diametralmente em oposiçao ao que seu objeto se prestou a existir ou gerar. Compor bêbado ou semi-bêbado uma elegia a "Straight Edge" é como agradecer a Deus ajoelhado sob uma estrela de cinco pontas, celebrar o sucesso de uma revoluçao operária com Romaneé Conti ou ter cinco dedos e uma palma inspirados pela Deborah Secco e depois maldizer o silicone. Mas ser incoerente se faz necessário em várias e várias oportunidades. Às vezes resulta natural e inevitável participar de um clube em que nao concordamos com as regras por um prazer de razoes desconhecidas que isso estimula.
É um processo muitas vezes inconsciente, como quando me vi incluindo os 44 segundos de "Straight Edge" em minhas heterogêneas e incoerentes listas de músicas no Winamp. Atraçao nao condicionada e nao planejada. E só mais tarde eu fui parar para pensar que três quartos de minuto puderam alterar o que era ou o que poderia ser a vida de milhares ou, o que é mais provável, de milhoes. Mesmo hoje, quando saibo que tudo é possível, nao deixa de ser inusitado que um hardcore de máxima violência extrema (e que saltou aos ouvidos de alguém que nao é exatamente um fa do gênero) possa pregar ou clamar em ordem direta e sem nenhum rodeio que o caminho é o do abstêmio, que o caminho certo é o da renúncia às duas primeiras pernas da tríade sexo drogas e rock'n'roll. Depois que Ian McKaye escreveu e berrou "Straight Edge" alguém observou que o mundo ficou também mais chato com garotas e garotos com menos de 18 anos formando patrulhas que condenavam comportamentos fora dos trilhos, que lançava miradas reprovatórias a inocentes copos de cerveja ou a ainda mais inocentes cheese-saladas e que nao achavam graça em uma piada politicamente incorreta. Tá certo, mas, na real, quantas vidas foram salvas? Autodestruiçao tem seu charme poético, mas na prática nao resulta tao divertido. Machuca, fere e pode matar. Tá, eu deixo o papo evangélico-Coronel Ferrarini.
O impressionante é que exista uma música com duraçao de vinheta que pode alterar o curso de vidas em escala mundial. Seja Sao Paulo, Acapulco, Berlim ou Seul, um cara chega e diz pros amigos que vai abdicar do álcool e da trepada oportuna, e isso tem a ver com o que semeou "Straight Edge". E me dá igual a filosofia dos caras, eu que nao penso em parar de tomar cerveja tao cedo, me impressiona o desenrolar puro e complexo de tudo isso a partir das sensaçoes causadas por uma música do tamanho de um grao. Sensaçoes... mas é engraçado, nao eram eles que falavam de nao fumar, nao beber e nao fuder?
Escrito por Shin Oliva Suzuki às 15h22
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